


Espere, pois hei de voltar...
Rabisquei na folha da memória
O mapa que me conduzirá
Aonde? Não sei... àquele lugar
Que em mim nunca apaguei
Sabendo que iria voltar.
Não há em si Sul ou Norte
Rios do Leste, Sol do Oeste
Na rota deste prosseguir
Não há também morte
Pois quem anda à frente
Não teme as incertezas da sorte.
Chegarei aonde me deixei levar?
Algum rosto amado, familiar
Na soleira da porta, a aguardar?
A chegada é arbítrio dos egoístas
É ânsia que fere e que palpita
Sob a pele angelical da existência.
Melhor deixar o tempo circular
Ser esfera perfeita, abraçar
Tudo o que há e não há de passar...
Eu sou meu próprio paraíso
Meu inferno sem castigar...
Quero um abraço, mas espero
Porque um dia hei de voltar.
Crédito da imagem: https://pt.linkedin.com/pulse/andar-em-c%C3%ADrculos-katya-esteves