


Temos todos um tempo
E infinitas estradas
Ponteiros de existência
Quilômetros de exploração
E ainda assim vacilamos
Assustados além da conta
Com a sombra que se desenha
No canto dos olhos
Na mentira da visão.
Temos todos alguns tempos
Que batizamos aleatórios de eras
Em que engendramos álibis
Nos quais nos digladiamos
Na defesa de vazias quimeras.
Só não temos na carne diária
Aquela gota de sangue, humanidade
Grito de profeta, sanidade
Que nos dê alma e proporção.
Temos todos um só tempo
E não percebemos sua velocidade
Essa nave espacial que não decola
Mas que narra a cada dia sua história
A sussurrar futuros e constelações.
Crédito da imagem: https://www.benitopepe.com.br/2008/12/04/a-estrada-do-tempo-e-da-vida/