


Saber se a palavra feita pedra
Nasceu mesmo da tua alma deserta
Não sei, nunca saberei...
Mas é doença incurável e pulsa
No tempo desgarrado, nas noites
Em que não houve paz no sono estraçalhado.
Saber se o golpe da espada
Foi ato de ousado samurai
A cortar a carne do amante derribado...
Não sei, nunca saberei...
Mas sinto a dureza dum xogum alucinado
Impondo seu poder e sua lei.
Pensar em ver-te depois de tudo
Ou do nada em que tudo se tornou
É esperança pálida, um ex-tudo
Cujo vazio é o universo que me restou.
Melhor comprar passagem direta
Para o continente do nunca mais...
E deixar ao sabor da ventania incerta
A cura da dor que não cessa jamais.
Crédito da imagem: br.freepick.com/vetores/samurai