Textos


Como um calango ao sol, deixo o calor beijar-me as costas
neste inverno ensolarado, sob este céu escancarado
de um azul quase profano, divinamente medieval...

Eu um pequeno ser sem importância ou destino manifesto,
refém provável das artimanhas amargas do eterno mal...


Protege-me meu reptiliano senso de rebeldia, meu corpo
a se reconstituir sofrido depois de cada mutilação...
não me lamento pelas perdas que me escaparam do peito
nem com o pouco que guardo entre os dedos da mão...

Minha família é uma ilusão apagada, um vulto na estrada
talvez uma lenda urbana, repetida assombração...
sob o sol da Bahia ou da imaginária Toscana, a escolha
o calango desconhece, embore busque o mesmo sol.


Estou no calor que me reserva nosso mesmo planeta
abanando a cabeça, mil vezes se preciso fôr,
tique de calango, saudação à direita e à esquerda,
salamaleques que a evolução lhe reservou.


Crédito da imagem: https://br.fotolia.com/tag/calango
alexandre gazineo
Enviado por alexandre gazineo em 12/06/2019
Alterado em 04/07/2019
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