Textos


E o trovão anuncia o relâmpago, ordem normal
quando a chuva desaba, eu, íntimo e animal
escavo o poço dos meus desejos, e me vejo
despido e assaltado, sem tesouro ou cabedal.

A floresta em que se perdeu minha percepção
tem árvores frondosas e os séculos a forjaram
muito antes que eu abrisse os olhos ao racional.
Tento preservar em mim este instinto,
a possibilidade de ser menos humano e mais natural.

Meus amores me circundam, deusas fantasmais
amar é sempre um salto no escuro, amar é
deixar de se crer único para ser muitos mais.

O trovão do meu silêncio, chuva abençoada
interrompe a aridez, encharca a madrugada...
Meu amor está dormindo, em paz repousada
enquanto o reino da lembrança se instaura
sobre o que é tudo e provavelmente nada.

Crédito da imagem: 
http://gaea-metro.blogspot.com/2011/04/raios-relampagos-e-trovoes.html
 
alexandre gazineo
Enviado por alexandre gazineo em 22/04/2019
Alterado em 22/04/2019
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