Textos


Eu queria que as noites de domingo
Precipício por sobre a escravidão
Fossem amenas como a lua cheia
E tanto quanto o satélite alvissímo
Fossem fontes de inspiração...

Mas eu em nada sou oposto
À depressão secular das multidões...
Noites de domingo são como gritos
Surdos
Contra o mundo de então.

Elas nos roubam o ócio feliz
Relembram-nos as dores do trabalho
Os dias em que servimos
A quem não nos serve...

Negado o doce paladar do vinho
Entregues estamos ao borralho...
Somos todos borralheiros gatos
               (ou gatas, pois a dor não tem sexo)
Apagados e disformes
Sobra-nos as migalhas e os restos.

A lua cheia em noite de domingo
É feito olhar de coruja
Não inspira e nem salva
Mas convoca
Todo um exército de bruxas.

Vou cravar no sono
Louvar a inconsciência
Que doí bem menos que um poema...

Au revoir, domingo memorável
Que me fez gente em carne e sonho
Que me deu os beijos do meu filho
Inocência e amor. 
alexandre gazineo
Enviado por alexandre gazineo em 23/08/2015
Alterado em 23/08/2015
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Alexandre Gazineo). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.


Comentários