Textos


Corria o reinado de Safar I quando, em uma noite sem nuvens, avistou-se nos céus uma segunda lua. O novo astro era vermelho e logo os poetas da corte cantaram-no como sendo o sangue de todos os amores.

 

Mas como os poetas quase nunca sabem a resposta real para as perguntas, Safar I ouviu a opinião de Hor, seu conselheiro e astrônomo, para quem a lua seria um novo sol que poria fim às noites.

 

As idéias de Hor causaram espanto no reino. Sim, pois caso as noites não mais existissem, como os homens repousariam? E o amor, a que horas se viveria o amor?.

 

Safar I editou um decreto, no qual dava boas vindas à nova lua, chamava-a de princesa dos céus e pedia-lhe que guardasse a quietude das noites.

 

O decreto foi lido na praça, em voz alta, pelo próprio rei. Aos poucos, a lua foi perdendo a cor, esmaecendo, até que, ao fim da leitura, desapareceu.

 

Os poetas choraram a perda. As damas que viam na lua nova a luz para suas ânsias de amor, também choraram. Mas o céu voltou a ser como antes, e as noites seguiram escuras e quietas.

 

 Nas crônicas do império, Safar I ficou conhecido como o salvador da noite. Para os poetas, como o rei que não compreendeu os mistérios do céu.

 

                                  

 

                                    
alexandre gazineo
Enviado por alexandre gazineo em 05/08/2008
Alterado em 10/05/2013
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Alexandre Gazineo (www.alexandregazineo.com)). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.


Comentários