Meu Diário
16/11/2009 09h40
O LADRÃO NO ARMÁRIO

O livro 'O Ladrão no Armário' do escritor norte-americano Lawrence Block, um dos mais destacados representes da chamada 'literatura noir' atual, apresenta, logo de saída, um tratamento um tanto quanto avesso aos cânones do gênero, na medida em que seu herói - ou melhor seria dizer 'anti-herói'? - não é um policial durão ou um detetive particular que, embora dê socos e pontapés fora de órbita, transitam na esfera da lei. Não. Aqui o seu protagonista - que teve aventuras continuadas em outros títulos de Block - é um ladrão chamado Bernie Rhodenbar, o terror das residências e dos bairros chiques de New York.
Escrito no início dos anos 70, o livro mostra a clara influência sofrida por Block, no estilo narrativo, descrição de ambientes e caracterização dos personagens, do notável Raymond Chandler. Até aí tudo bem, porque é difícil não encontrar, neste gênero, quem, aqui e ali, não reviva, direta ou de modo mais discreto, a influência deixada por um dos criadores do gênero 'noir'. Block parece não se preocupar com isto, no que faz bem, já que a saudável influência não prejudica em nada o seu livro.
Em 'O Ladrão no Armário', Bernie entra em um apartamento para roubar as jóias de uma mulher recém separada e, surpreendido pela chegada inesperada da vítima, tranca-se em um armário, esperando uma chance para escapar. Neste ínterim, a mulher é assassinada por um misterioso visitante e Bernie se vê envolvido em um redemoinho de suspeitas, perseguições e mortes.
Conquanto inventiva a premissa da estória - que chegou mesmo a ser 'plagiada' no livro 'Absolute Power', de David Baldacci, que virou filme dirigido por Clint Eastwood em 1997 - o livro tem um defeito que me parece evidente demais para relevar. Este defeito é, justamente, o modo como Bernie decide começar sua investigação em busca do criminoso. Convenhamos que sair bebendo a esmo pelos bares de New York sem um objetivo definido, não parece a melhor estratégia para se perseguir um assassino. Encontrá-lo através deste meio - como consegue Bernie - aumenta ainda mais a sensação de inverosimilhança.
Mas o livro flui com habilidade e a solução do caso - apesar da observação acima - resulta satisfatória. Uma leitura que pode ser uma boa introdução para aqueles que nunca leram Block, um autor que influenciou muito a geração 'noir' a partir dos anos oitenta com obras como 'O Pecado dos Nossos Pais' e 'Uma Longa Fila de Homens Mortos'.

Cotação: * * * 

Publicado por alexandre gazineo em 16/11/2009 às 09h40
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